Crítica à pedagogia tradicional

Não é novidade o sistema educacional brasileiro receber críticas negativas. Quando pesquisas sobre qual seria o principal problema do país são realizadas, a maioria das pessoas apontam a situação precária da educação como resposta. Os argumentos, em geral, são baseados na falta de investimento na área e na má colocação do Brasil nas análises do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Entretanto, poucos indivíduos se preocupam com o método pedagógico e com o sistema de integração no Ensino Superior, fatores que são primordiais para o desenvolvimento sócio-psicológico do aluno.

O método do ensino tradicional, utilizado por quase todas as instituições escolares do Brasil, baseia-se na comparação do aluno a um objeto a ser instruído por uma ação exterior exercida sobre ele, por referência a normas e valores ideais, no qual o educador efetua tal ação formadora e modeladora do aluno. A transmissão do conhecimento é determinado por uma relação mestre-aluno em que o professor é o centro único e o educando ocupa o papel de receptor de saberes, caracterizada pelo foco na resolução de exercícios e na memorização de fórmulas e conceitos. As avaliações são realizadas a partir de testes, e o ambiente de estudo é semelhante as atuais salas de aulas.

As consequências desse método pedagógico original do século XVIII, fortemente influenciado pelo iluminismo e pelo cartesianismo, são evidentes nas escolas brasileiras. Além de ser um modelo ultrapassado (definição já aceita nas décadas de 60 e 70), o ensino tradicional não desenvolve o indivíduo socialmente, uma vez que é priorizado a realização de testes padronizados, injungindo uma agregação delimitada de conhecimento externo. Consequentemente, a educação em si perdeu o seu valor para os estudantes, que em geral se importam apenas com a preparação para o vestibular.

Além disso, esse método deseduca os jovens da suas curiosidades, não estimula a criatividade nem o pensamento crítico, moldando uma juventude desinteressada pela paixão de querer aprender pelo simples fato de aprender, e não apenas para passar numa prova.

A educação não é apenas a transmissão de conhecimento, é a apropriação da cultura, é o desenvolvimento social e psicológico do adolescente. O Brasil vive uma geração de estudantes passivos, que são aprisionados diariamente em ambientes onde estão sujeitos a educação conceitual forçada, pressionados constantemente a passar no vestibular. Na escola, não se aprende valores úteis para o indivíduo, se aprende a fazer exercícios.

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um comentário

  1. Suely Gonçalves · · Responder

    Parabéns, Lucas, pelo comentário, voce relatou muito bem a sua visão de aluno sobre as deficiencias e ineficiência do nosso sistema de ensino. Quando os teóricos que povoam as Secretarias de Ensino, os Ministérios de Educação vierem conhecer e vivenciar a realidade das salas de aula talvez as coisas mudem.

    Curtido por 1 pessoa

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