O saber é para poucos

”O conhecimento em si mesmo é poder” já dizia Francis Bacon, quem o detém consegue dominar povos, mudar culturas, economia, vidas, etc. Grande parte desse conhecimento é produzido nas universidades, que é a instituição responsável por produzir e repassar todo este acervo intelectual.

O conhecimento que temos hoje em dia é aquele da ciência moderna, que é extremamente influenciada pelo iluminismo e portanto só acredita naquilo que pode ser provado pelas ciências exatas, tal como a física e matemática. A ciência moderna foi ”sequestrada” pelo capitalismo e é usada para poder justificar os acontecimentos e gerar lucro, por isso hoje vemos uma mercantilização da ciência, basta ver o preço exorbitante das universidades privadas (aquelas que mantém a dignidade e oferecem uma educação de qualidade) e dos livros acadêmicos/didáticos. Tal fato faz com que o saber seja instrumento apenas de uma elite que pode pagar os preços de uma educação de qualidade que posteriormente levará a uma vida acadêmica de produção intelectual; até mesmo as universidades públicas que deveriam ser democráticas tem a maior parte de suas vagas ocupadas pela elite que consegue arcar com cursinhos pré-vestibulares caríssimos ou escolas particulares, isso mostra que existe uma dinâmica que faz com que uma grande parcela da população não tenha acesso ao conhecimento, deixando-a facilmente alienada e fazendo com que as pessoas sejam apenas uma engrenagem do sistema capitalista.

O próprio trabalho em si é uma apropriação das ciências exatas pelo capitalismo, basta pensar que o Trabalho nada mais é que uma grandeza física e que portanto esquece de todos os aspectos sociais e culturais inerentes ao ser humano, reduzindo-o a uma maquina, ou melhor, a uma mercadoria que vende sua força de trabalho para enriquecer quem detém o capital.  A ciência moderna atrelada ao capitalismo, refuta tudo aquilo que não consegue provar ou o que desmente toda a ilusão criada por ela, basta ver os estudantes de Humanas, que são tidos como baderneiros, maconheiros, vagabundos e outros adjetivos que o bom senso não deixam reproduzir, justamente por irem contra todo esse teatro capitalista (que se utiliza da política do ”pão e circo”) e lutarem contra as opressões sofridas pelo sistema; não é toa que os meios de comunicação reforçam esses esteriótipos, pois os donos das grandes redes de telecomunicações são parte dessa elite que ganha dinheiro com o povo alienado.

Todos que vão contra o sistema são desmerecidos e tem sua imagem distorcida, basta ver o que aconteceu com os professores no Paraná, chamá-los de black blocks é de um cinismo e de uma leviandade enorme, será mesmo que um professor com seu giz, apagador e conhecimento seria mesmo capaz de lutar com uma polícia fortemente armada? Fica claro que essas ofensas e essa descaracterização é parte de um jogo que busca moldar uma imagem diferente do real para ludibriar a população e fazer com que a mesma esqueça das justas reivindicações dos professores que tem em si o peso de uma sociedade que ao ser alienada não consegue notar a importância da educação, que é a arma mais importante para um país mais igualitário.

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