O atual ópio do povo

“Ópio: narcótico viciante que faz com que seu usuário se distraia, fazendo-o se desconectar do mundo real e passar a viver num mundo ilusório. Pode ser utilizado para a produção da morfina, anestésico que pode salvar vidas.”

Tal definição possibilitou ao filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) a fazer a seguinte afirmação: “A religião é o ópio do povo”. Uma analogia que, de grosso modo, coloca a fé em Deus como um fator entorpecente na vida do ser humano.

Mas os tempos mudaram, e a Igreja não possui mais a poderosa força que desfrutava no século XIX. O número de ateus declarados hoje chega à marca de 500 a 750 milhões de pessoas no mundo. Logo, o papel da religião como o ópio do povo perdeu o seu espaço, que está sendo ocupado por algo particularmente peculiar: a Internet.

Com a revolução tecnológica, a sociedade pôde se informatizar e ao mesmo tempo notar como um aglomerado de fios e chips podem tornar o dia a dia mais fácil. Consequentemente, isso causou uma explosão no número de pessoas com acesso à rede. A maioria da população em todos os continentes (com exceção à África) tem um computador em casa.

A Internet ocupa o posto de ópio justamente por fazer jus ao significado da droga: nos vicia, nos distrai e nos desconecta do mundo real. A procrastinação é um exemplo perfeito disso. É difícil não conhecer alguém que deixou de fazer algum dever profissional ou até mesmo escolar para passar “um tempinho” a mais no Facebook ou qualquer outro tipo de rede social. A verdade é que a Internet é tratada como uma válvula de escape das responsabilidades. O foco nelas é deixado de lado, martirizando os deveres em prol de um interesse pela vida alheia. A solução então é simples: basta desconectar-se da rede, certo? Em tese, sim, mas não é de fato tão simples quanto parece. Vale lembrar que a rede está sendo comparada com uma droga, logo, da mesma forma que a maioria das drogas, vicia. Não pode ser justamente jogada de lado. Sua falta provoca ansiedade e angústia no indivíduo que a utiliza frequentemente, levando a um desejo cada vez mais intenso por ela, ou seja, um vício ainda maior.

No passado, era comentado que o pouco tempo de vida que todos possuíam era gasto em frente a uma tela de televisão. Hoje pode-se dizer que esse tempo é gasto na frente de um monitor ou numa tela de celular. Minutos preciosos que não serão recuperados jamais são descartados. O tique-taque do relógio não para, e continuará ininterrupto pelo resto da eternidade. Cabe ao indivíduo decidir o que fazer com ele, e a melhor decisão parece ser aproveitá-lo.

Mas tudo tem um lado bom, e com a Internet não é diferente. Sem dúvidas ela nos oferece inúmeros benefícios, como o aumento da produtividade no trabalho (se utilizada de maneira eficiente), facilitação do cotidiano, eliminação de fronteiras, etc. É possível andar pelas ruas de Praga ou conversar com alguém na Nova Zelândia com apenas alguns cliques e poucos esforços. A possibilidade de melhoria da qualidade de vida com tanta tecnologia é indiscutível.

Isto não passa de mais uma prova de que Internet e ópio andam juntos, já que os dois possuem seu lado positivo e seu lado negativo. Ambos podem salvar ou dificultar a vida, basta saber usá-los de forma correta.

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