Brasil: um país de… todos?

Não é nenhuma novidade que a desigualdade social no Brasil sempre esteve presente. Ela ocorre principalmente em países subdesenvolvidos, sendo um problema decorrente por aqui. 16 milhões de brasileiros vivem em condições de pobreza extrema e precisam de amparo do governo, devido ao fato da riqueza estar concentrada na mão de poucos. O Índice de Gini, que mede os níveis de desigualdade em diversos países, aponta que o Brasil está em uma condição desfavorável. Foi calculado que nosso número é de aproximadamente 0,52 (quanto mais próximo de 0, melhor). Embora os dados sejam desagradáveis, órgãos de pesquisa mostram que esse número vem caindo ao longo dos últimos anos.

Como é possível estar ao mesmo tempo entre os 10 maiores PIB’s e os 10 países com mais disparidade social do planeta? Para compreender a razão da desigualdade no Brasil, é necessário analisar nossa história. As raízes da injustiça vêm do período colonial, época na qual a aristocracia comandava o país. A riqueza era tida nas mãos dos senhores de engenhos, grandes latifundiários que constituíam uma minúscula parcela da população brasileira, ao passo que a maioria da população possuía uma baixa renda. Alguns chegavam até a não receber salário nenhum, como era o caso dos escravos africanos (o que ajuda a entender por que a maioria do pobres de hoje são negros). Pode-se dizer que esse sistema foi o berço da desigualdade que vemos atualmente.

Voltando a olhar para o presente, nota-se que este problema não é simplesmente acidental. Suas principais causas são a má distribuição de renda do sistema capitalista e a falta de investimento na área social. Foram criados o sistema de cotas e o Plano Brasil Sem Miséria (BSM), que identifica os cidadãos de baixa renda e que não recebem auxílios, tais como o Bolsa Família. São medidas eficazes, porém não passam de remédios que não curam de fato o problema, só adiam-no. O que de fato poderia diminuir a desigualdade seria um maior investimento na educação brasileira, tornando sua qualidade de péssima para ao mínimo boa e que atenda à realidade da população. A educação também não deve ser entendida como algo que serve somente para formar mão-de-obra e ganhar dinheiro. Deve ser incentivado um processo de formação de cidadania nas escolas, que permita ao indivíduo o acesso ao conhecimento científico e principalmente político, de modo que possa exercer, por exemplo, seu direito de votar conscientemente e evitar a alienação. Dessa forma, não só contribuindo para o futuro do brasileiro, mas para com o futuro do Brasil.

Não é possível um combate à desigualdade social sem um efetivo Estado democrático. O direito de acesso à educação deve ser, portanto, de todos. Estas medidas diminuiriam a necessidade de cotas, já que não seria necessário um amparo ao indivíduo com menor renda, pois este recebeu educação de qualidade assim como todos no país. O Bolsa Família não seria tão primordial, pois ninguém precisaria de ajuda tendo um emprego estável e com um bom salário.

É claro que estes investimentos de longo prazo levariam bastante tempo para surtir efeito, entretanto isto é perfeitamente comum quando se trata problemas grandes. Quem sabe o governo adote estas soluções e faça jus ao seu antigo slogan, fazendo com que o Brasil seja de fato um país de todos, e não só dos ricos?

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