Guia Fácil para ser um Jovem Militante de Esquerda

Olá caro leitor! Através deste guia rápido, prático e seguro, ensinar-lhe-ei as mais apuradas técnicas para se tornar um cidadão de bem, respeitador das minorias e das liberdades, defensor dos oprimidos… Um virtuoso social, por assim dizer. Por meio dos seguintes pequenos passos, você aprenderá importantes conceitos de polidez, humanitarismo e respeito universal, e como praticá-los. Vamos começar?

  • Renuncie completamente ao seu direito à liberdade de expressão. Regra máxima deste códice, deve ser seguida à risca, sob pena de poluir sua casta imagem. Um cidadão politicamente correto não emite juízo de valor, exceto nos casos em que é apoiado pelo senso comum. Há ocasiões em que grupos oprimidos são criticados. Nestes  casos, deve-se repetir mecanicamente e exaustivamente as falas utilizadas pelos defensores destes grupos, certificando-se de bajular o alvo da suposta crítica e de demonizar o agente dela. Resumindo: mesmo que você deseje de seu âmago dizer determinada coisa, julgue primeiramente se essa coisa será bem vista pelos outros, rendendo-lhe um aspecto bondoso e inviolável, ou se vai contra o senso comum (reprima-a neste caso). Classifique, também, qualquer tentativa do adversário no debate de usar a liberdade de expressão com o termo “discurso de ódio”.
  • Sempre defenda ferrenhamente grupos historicamente oprimidos e minorias, mesmo que essa defesa vá contra princípios racionais e lógicos. Simplesmente não importa se 1+1=2, quando os interesses das minorias estão em jogo. Ignore toda a argumentação baseada em conceitos e fatos e cicle em torno de frases que citam palavras chave como respeito, justiça social, preconceito e suas variantes, direitos humanos, etc. O uso de estratégias argumentativas nos leva ao próximo tópico.
  • Utilize-se de recursos de oratória hábeis o suficiente que coloquem seu adversário no debate contra algum suposto principio moral, dessa forma descreditando-o perante o senso comum. O uso de palavrões escabrosos e expressões ofensivas é bem vindo. O ad hominem (falácia contra o autor e sua vida pessoal, e não contra o conteúdo de sua oratória) deve ser usado sem moderação, visto que será endossado pela opinião geral, que verá seu opositor como uma pessoa completamente perversa. É de suma importância que você se contradiga, já que o desrespeito que você critica em seu adversário está sendo praticado em maior escala por você mesmo. Outro recurso muito eficiente é julgar a condição econômica do seu opositor, tendo absoluta certeza de que ele não viveu os comportamentos sociais que critica.
  • Adeque-se ao padrão comportamental a que você está inserido, mas critique a formação de padrões sociais. Criticar a padronização promovida pelo capitalismo opressor é indiscutível, mas deve ser aliado à sua adequação estética ao padrão do qual faz parte. A contradição mostra-se, novamente, completamente necessária. É interessante também você se caracterizar como uma pessoa completamente diferente dos demais, assim como se caracterizam os outros jovens militantes, todos unicamente uniformes. Outra sugestão é a compra e o uso indiscriminado de produtos advindos do capitalismo opressor, já que eles são tão importantes para sua própria vida social. A padronização deverá perpetuar-se também em estilos musicais, artísticos e ideológicos.
  • Cite indiscriminadamente fontes e autores dos quais nunca leu ou estudou a fundo. A base primordial para suas falácias devem ser as citações provenientes de estudos dos quais você não tem a menor ideia do que realmente querem dizer. A alusão a dados falsos, manipulados ou que não dizem respeito à situação em questão também é bem vinda. Sugestão de não leitura: O Capital de Karl Marx.
  • Não aceite, em hipótese alguma, a possibilidade de estar equivocado. Ora, como alguém que se baseia em principios de liberdade convencionados pelo fanatismo, pela oralidade e por uma suposta consciência coletiva poderia estar errado?! Impossível!
  • Analise a história com base em informações superficiais. O texto é auto explicativo.
  • Você não precisa ser um defensor de fato de tudo pelo que milita, apenas tem que parecer um. Como já dizia Maquiavel, a imagem que você passa é mais importante do seu “eu” real. Ninguém se importa se você realmente faz caridade ou se vai nas marchas pelos direitos das minorias, mas seus comentários nas redes sociais devem sempre mostrar seu lado bom e humano.

Com estas simples regras, você terá tudo para se tornar um jovem único, com ideias originais e um sincero apreço pelas causas sociais.

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