A ALEGORIA DA BANANA

A banana é um fruto longitudinalmente alongado, de coloração amarelada e sabor adstringente, envolta por uma casca flexível. Este alimento rico em potássio é originado na Musa spp; bananeira, uma erva de grande porte; a partir de uma flor Bordeaux profundo. Sua origem está em experimentos de cientistas portugueses que necessitavam de alimentos viáveis para populações de leões-marinhos durante a busca por rotas orientais para o Novo Mundo.

A banana superior é uma banana de ação. A banana será, um dia, dividida igualmente, macacos do mundo, uni-vos! A banana acaba por, invariavelmente, perecer e apodrecer. A banana pode ser sacrificada e plantada, de modo a favorecer todo o seu gênero, ou consumida, favorecendo o degustador. Se um yocto-empresário adquirir uma banana por um preço x e contratar um vendedor por um salário x/2 para comercializar o bem de consumo por um preço equivalente a 47 x, estará obtendo lucro e empregando a mais-valia. Se um yocto-empresário adquirir uma banana, deve ter a liberdade de comercializá-la sem a intromissão de medidas reguladoras Estatais. A banana seria melhor se fosse o banano. A banana é constituída majoritariamente pelo elemento químico Delicium (Dlç) e possui formato fálico, podendo ser destinada ao consumo, quando cultivada pelo homem, ou à reprodução, quando cultivada por Deus. A banana representa os instintos primitivos a serem reprimidos. O Estado fornecerá a camarada banana.

Portanto, nesse paradigma contemporâneo, é necessária a alteração da banana.

Nietzsche, Marx, Schopenhauer, Kant e Espinoza, Engels, Adam Smith, Hegel, Aristóteles, Freud, Rosa de Luxemburgo. Monismo, socialismo, niilismo, ética, capitalismo, liberalismo, misoginia, quatro calças, psicanálise, comunismo. O Anticristo, O Capital, blábláblá…

O texto acima demonstra uma tendência apavorante nas dissertações contemporâneas, são altamente descritivas ou subjetivas e pouco objetivas, como castelos em areia movediça. Um monte de nomes que não dizem nada, conceitos descontextualizados, textos com a profundidade de uma poça d’água, palavras com gosto de chuchu desidratado. Vejo assuntos bonitos, vejo palavras bonitas, ouço sons bonitos, vejo cores bonitas. Porém, sinto um frio bonito quando peço argumentos. Em toda conversa, caio no vazio bonito de um abismo cheio de vocábulos, porque repetir palavras não é bonito.

Talvez a verdade que me escapa seja a intenção da intelligentsia, não de argumentar, de desfilar opiniões. Todos creem ter direito inalienável a opinião, mas poucos sabem justificá-los (direito e opinião). Refutam a argumentação, mas têm opiniões e as expressam. É inviável o desenvolvimento de uma sociedade em que as discussões se encerram no ponto em que as opiniões divergem. Uma sociedade obscurantista. Prefiro o conhecimento à sabedoria.

A argumentação é um processo lógico, uma vez que tenta encontrar uma verdade inabalável em determinada conjuntura, e, desse modo, racional. A razão, e não o polegar opositor, é o diferencial imprescindível entre os seres humanos e os outros animais.

Como se deve proceder na tentativa de encontrar a solução menos danosa a dada situação quando o interlocutor não sente necessidade de explicar seu ponto de vista? A argumentação é mais essencial ao diálogo do que as concomitâncias espacial e temporal, como pode ser observado no evento da leitura de uma opinião, de um texto atual ou anterior a Cristo, verbal ou não.

É muito fácil querer ser gente sem antes ser animal, muito agradável o banho de mar sem que antes se nade no sal. Não há argumento sem opinião, mas, infelizmente, há opinião sem argumentos. Da mesma forma há dor sem término, mas nunca término sem dor. No entanto, tudo que acaba muda, e a mudança, positiva ou negativa, é essencial à alma, elimina a estagnação, apresenta a possibilidade, alimenta a vida com o sonho, traz o desejo de melhoria, suficiente para impulsionar o desenvolvimento. Muito, ao contrário, antes fosse. Esse é o motivo do autoflagelo cotidiano. Se a ânsia moderna por desenvolvimento é ou não benéfica, não será discutido agora.

A solução é alongar o pavio, mas, em compensação, perde-se o brilho. Como a navalha que muito corta, a língua também perde o fio. E perdida uma vez não volta, não volta afiada nem enfileirada. E se volta é redundante, e antes ficasse aonde nunca deveria ter ido. E se é redundante, é repetitivo, é cansativo.

Perguntam se não me canso de argumentar, de enfrentar indefinidamente um infindável contingente. Cansa-se, sim, como se cansa. Canso-me em mim, mas me canso mais de mim.

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