Não sei qual título escolher.

Escolher é um absurdo. Um grandessíssimo absurdo! A cada momento que o contexto me obriga, sinto-me como Abraão no monte Moriá, consolado apenas pela sua fé em algo superior. Como eu posso fazer decisões com consequências longínquas? Casar ou não casar? Direito ou artes cênicas? Mudar-se de estado ou permanecer? Quantas alternativas!

O conselho supostamente perfeito para mim repousou na entrada de um templo místico, na Grécia Antiga, há 2500 anos. Na entrada de tal local, se lia: ”Conhece-te a ti mesmo”. Eis um grande exemplo de sabedoria universal, que vale para todos, em todos os tempos. É óbvio, não? Quando você sabe o que deseja, o que te trás tranquilidade e prazer, é só guiar sua escolha por esse norte. ”Conhecer-te” pode parecer algo bem simples, mas sob uma análise fria acaba se revelando um obstáculo bem imponente.

Durante a nossa vida, em cada um dos dias que se passa, parece existir uma pressão, uma voz tendenciosa e aparentemente protetora nos dizendo o que deixa-nos tranquilos e, consequentemente, o que devemos perseguir: dinheiro, família constituída, boa imagem, corpo magro, etc. Essa voz, o meio social, pode nos fazer confundir os desejos dos outros com os nossos próprios, levando-nos escolher a alternativa errada e, assim, nos mergulhando em tristeza e arrependimento.

Faz-se necessário, então, uma profunda autoanálise contínua sobre nós, algo, deveras, é cansativo e trabalhoso. O problema é que o absurdo da escolha está longe de acabar: ainda que eu consiga a vir diferenciar eu da sociedade, isso não é suficiente para eu ministrar boas escolhas. É o caso pois nós somos inconstantes igual o tempo, sempre sujeitos a mudanças em função da menor e mais desprezível variável!

O homem que sou hoje em nada se assemelha ao de dez anos atrás. Pensamentos, desejos, aspirações e prazeres foram mudados para outros completamente alheios aos primeiros. Tendo ocorrido uma vez, como posso ter certeza que não vai ocorrer no futuro? E, pois, como posso decidir algo tão abrangente sobre a minha própria vida? Seria, com certeza absoluta, um desastre deixar o destino da minha vida futura na mão do meu eu com cinco anos (”prazer, sou o Bruno policial militar e jogador profissional de tênis”).

Então, se nem os conselhos de Delfos ajudam, o que nos resta? Resta-nos fé. Sim, igual aquela de Abraão ao levantar a faca contra seu filho, mudando apenas o objeto em que direcionamos a crença. Se o profeta acreditava em Deus, nós devemos acreditar em nós mesmos, na nossa constância. É a única forma de escolher com o mínimo de sensatez e certa: acreditando que meus valores e sonhos de hoje serão os mesmos de amanhã.

Para muitos, a fé pode não ser uma pedra angular tão significativa assim. Entretanto, para aquele que entendem a impossibilidade de viver em sua ausência, ela se torna a base mais rígida possível. Espero que eu tenha escolhido as palavras corretas ao longo deste monólogo.

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