Wetiko

Definindo o termo, ”wetiko” significa, na crença nativo-americana,  o câncer da alma, que secretamente opera através dos inconscientes pontos cegos na psique humana, tornando as pessoas alheias a sua própria loucura e obrigando-as a agir contra seus próprios interesses. Esta crença, na aparência, extremamente esotérica, pode ter um embasamento social, já estudado por sociólogos contemporâneos, como Durkheim. Ele desenvolveu a teoria do chamado ”Fato Social”, e em seu livro ”As regras do método sociológico”, explica a coerção deste, que seriam as regras que a sociedade já manifesta de maneira mecânica, ou seja, sem a consciência que esta realizando-a por acomodação ou costume. Sendo animais diferenciados dos demais, já que nosso comportamento em comunidade é pouco influenciado por genes e mais pelo entrecruzamento social, valido esta teoria, principalmente, pela historia mostrar o quanto o comportamento humano é mutável, basta ver que nossos costumes de mil, quinhentos, até cem anos atrás não são mais os mesmos. O que sustenta o Fato Social é, além do comportamento cotidiano, os estímulos externos constantes que nos agridem, como comerciais, que mostram diariamente ”como ser mulher” ou ”como ter sucesso”. É a base de todo um comportamento construído socialmente, o que obviamente estaria vinculado com o sistema econômico.

Considerando que vivemos em uma sociedade imersa no capitalismo, os tais ”estímulos” estão intrínsecos com as ideias do consumismo, individualismo, etc. A questão é que tais impulsos se tornaram tão cotidianos que já não se tem a consciência deles, virou ”a natureza humana” atual, e estes modos de pensar e costumes são agressores, no sentido de que se estimula uma individualidade não em buscar sonhos e desenvolvimento real social, mas no individualismo de que pouco importa o outro na sua busca por reconhecimento e poder, o que estimula uma competitividade violenta(que permite a ocorrência de guerras), onde se aceita o fato de poucos terem muito e muitos terem pouco, e na neutralidade em não se importar nas cabeças que se pisa para chegar em certo patamar socialmente construído como ”ideal”, vendo-se ai o abismo que separa ”individualidade” de ”individualismo”.

Acredito que por esse pensamento ser tão autodestrutivo, indo no principio de que seus atos afetam a sociedade como um todo e não somente a si, ele entrara em colapso por questão existencial, e dentro de anos, não poderá se sustentar, necessitando que a humanidade faça novamente sua metamorfose ambulante.

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