O Sol nasce para todos

Uma das virtudes mais admiráveis do ser humano é a sua curiosidade. É devido muito a ela, pois esta é o agente motivador de diversas descobertas revolucionárias, como o fogo, roda, eletricidade, etc. Juntamente com a alta capacidade cerebral humana, a curiosidade talvez seja o fator determinante que nos distingue do resto das espécies e nos permite estar no topo da cadeia evolutiva. Imaginar uma vida sem ela é mergulhar num mundo selvagem, onde os humanos não cumprem mais do que um papel coadjuvante na Terra.

No entanto, nem tudo é perfeito, e o homem nem sempre consegue encontrar uma solução para todos os seus problemas. Existe um grupo de dúvidas que, desde o início dos tempos, permanecem insolúveis. A busca por uma resposta da razão da existência humana faz parte desse grupo. Afinal de contas, por que o homem está aqui? Será que existe algum propósito para a vida? Infelizmente, ainda não foi encontrada uma resposta precisa para estas perguntas. Isso é bom, pois desperta a famigerada curiosidade e abre caminho para uma infinidade de respostas que cada indivíduo pode formular.

Claramente, toda pessoa tem metas estabelecidas em sua vida, sejam elas conquistar um bom emprego, se apaixonar, comprar uma casa na praia, não importa. O que importa é que no final todos convergem para o mesmo ponto: a morte. Então paira a pergunta: será que alguma coisa que fazemos no período em que vivemos realmente importa? Ora, no final, todos conhecerão o mesmo destino. Não importa se você é branco ou negro, heterossexual ou gay, rico ou pobre, nativo ou imigrante, a morte não discrimina. Eventualmente, ela dançará com toda alma. E tudo o que foi vivido se estilhaça como vidro a partir do momento de nosso último suspiro. Muitos defendem que o sentido da vida está na busca pela felicidade. Outros replicam: “De que adiantam momentos de gozo, sendo que é certo que depois de determinado tempo, esses momentos nunca mais poderão ser sentidos novamente?”. Talvez a vida não seja um dom, e sim uma maldição. Se um dia a perderemos, por que a recebemos para começar? Ninguém sabe a resposta.

A reflexão sobre o fim de nossa existência é um pavio que quando acendido provoca uma explosão de pensamentos e ideias sobre o homem e sua posição no mundo. É um despertar que anula o sentimento de imortalidade e revela a imprevisibilidade da vida junto ao derradeiro e inevitável abismo de esquecimento em que cairemos eventualmente. François de La Rochefoucauld, moralista francês do século XVII, afirmou que não se pode olhar diretamente nem o Sol do meio-dia nem a morte, uma vez que ambos ofuscam a vista e causam desconforto aos olhos. Submeter-se ao definhamento é deixar de viver, e deixar de viver é deixar de ser humano. Sendo assim, a graça da vida está nas perguntas, não nas respostas, pois são as perguntas que nos forçam a seguir em frente. Se preocupar com o futuro é perda de tempo, visto que este é imutável. Já o presente, não.

A Vida e a Morte sempre foram grandes amantes. A Vida envia diversos presentes para a Morte, e a Morte guarda-os para sempre.

Existem tantas formas de enxergar a vida! Cada uma delas depende muito da opinião de cada indivíduo. É muito provável que nunca haja uma resposta concreta para se há algum sentido na vida. O máximo que pode ser feito é aproveitar o curto tempo restante na calorosa luz do Sol. Sabemos que uma hora este vai se pôr, num verdadeiro show de luzes, enquanto o homem o fita da mesma forma que fita a vida: maravilhado e contente por fazer parte daquilo.

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