PINK MONEY: A CÉDULA GAY

“O Boticário lança campanha com casais homossexuais”, “Campanha do Boticário sofre boicote por evangélicos”, “Comercial aborda a diversidade do amor”. Se você circulou pelas redes sociais na última semana, se deparou com alguma dessas matérias nos portais jornalísticos. Caso não, uma breve explicação: Nas vésperas da Parada LGBT e do dia dos namorados, O Boticário vinculou na TV aberta e na internet um comercial com três casais, dois desses, homossexuais.

Setores evangélicos e conservadores se mobilizaram numa campanha para negativar o vídeo no Youtube, e na contrapartida, setores LGBT para apoiar o vídeo. Quem mais sai ganhando dessa história é O Boticário. Conseguiu com um comercial quebrar recordes de visualizações, ser manchete em matérias da mídia, e atrair a empatia de um movimento por inteiro. Ou quase.

Olhando de fora, pode parecer homogêneo na comunidade o apoio à campanha d’O Boticário. Mas não é. Existe uma linha tênue entre defender a visibilidade que o comercial proporciona e defender a própria empresa. E é nesse limite nebuloso que a empresa apostou. No twitter, termos como #CompreOBoticário foram levados aos trending topics, casais homossexuais já se presenteiam com perfumes da marca, e piadas envolvendo o perfume, feitas por LGBT’s, são milhares

O potencial de compras LGBT é subestimado em R$ 419 bilhões no Brasil. Existe uma enorme carência de visibilidade LGBT na mídia. Entendendo essas ambas noções, uma empresa tem nas mãos a receita para lucrar. A própria parada gay gera mais de 200 milhões de reais na economia paulista anualmente. O mercado brasileiro está finalmente entendendo o que os EUA e a Europa já descobriram há muito tempo: Ser gay friendly dá dinheiro.

A crítica a campanha por parte da população LGBT entende a forma com que eles nos enxergam: consumidores. “Tenho dinheiro, logo existo”. E critica-los também é difícil, afinal, nós queremos nos ver representados, queremos ter visibilidade, queremos que um dia um comercial com casais gays não seja notícia na mídia ou razão para tantos debates.

Só aumenta o número de comerciais e de marcas que pregam a diversidade. Será por que a sociedade avançou? Por que com o futuro vem o progresso? Não. Nós passamos a existir porque temos dinheiro.

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