Brasil, o país dos magnatas

“Deve ser o poder do nosso voto, não o tamanho das nossas contas bancárias, que impulsiona a nossa democracia”. Tal frase, pronunciada pelo presidente Barack Obama na abertura do Congresso estadunidense no primeiro mês de 2014, serve de exemplo para o Brasil, uma nação onde as eleições são definidas por empresas, essencialmente pelos bancos e empreiteiras, como consequência da legalidade do financiamento de pessoa jurídica de campanha.

No país, adota-se o modelo misto de financiamento, ou seja, os partidos podem receber doações tanto de empresas quanto de pessoas físicas. Entretanto, uma mesma instituição pode colaborar para quantos partidos quiser numa mesma campanha eleitoral, independendo se forem opositores, como demonstra os maiores doadores nas eleições de 2014. O grupo JBS Friboi ‘investiu’ 365 milhões de reais em candidatos de diversos partidos e estados, colaborando com a eleição da maior bancada do Congresso (quase um terço dos deputados deve agradecer à multinacional). Algumas das empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão) doaram, num total, R$ 98 milhões às campanhas de Dilma e Aécio Neves, que disputaram o cargo de presidência no segundo turno.

Tais dados demonstram que os financiamentos são realizados por questão de interesse econômico da instituição. Um estudo realizado por três universidades dos Estados Unidos, chamado ‘The Spoils of Victory’, concluiu que as empresas que doaram para as campanhas dos deputados federais do PT nas eleições de 2006 recebem entre 14 e 39 vezes a quantia doada por meio de contratos com o poder público nos anos seguintes. Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, também comentou sobre o assunto, afirmando que não há doações legais no Brasil, mas sim “empréstimos a serem cobrados posteriormente a juros altos dos beneficiários das contribuições quando no exercício dos cargos”.

Além disso, o financiamento empresarial tem levado a um encarecimento exorbitante das campanhas. Em 2002, o custo total das campanhas foi de 827 milhões de reais. Em 2014, o valor aumentou 604%, chegando a cinco bilhões de reais. As eleições foram transformadas em uma disputa de arrecadamento, e apenas os candidatos que forem escolhidos pelas empresas serão eleitos — como demonstra as doações no último ano, em que o PT foi o maior beneficiado pelos empresários, seguido, respectivamente, pelo PSDB e PSB, nas eleições presidenciais.

O Brasil apresenta-se como uma nação que tem seu futuro político submisso ao capital financeiro das multinacionais, caracterizando uma democracia que opera em prol do dinheiro, e não de sua população. O mínimo que deveria ser feito é um sistema democrático isento da influência monetária, proibindo, exclusivamente, a doação de pessoas jurídicas às campanhas. Enquanto isso, a política será refém dos interesses capitais das grandes empresas, gerando lucro e mais lucro aos magnatas.

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3 Comentários

  1. Jusé Juão · · Responder

    Olá caros escritores,antes de mais nada gostaria de agradecer e parabenizar a maioria dos escritores que estão empenhados em mandar textos cada vez melhores, a estes escritores meus sinceros parabéns.
    Você provavelmente deve estar pensando, “quem é esse cara?!”,”o que ele quer conosco?! “,”como vamos mata-lo?!”,e então, baseado nestes possíveis pensamentos optei por falar por meio de meu parônimo, muito original por sinal,prazer Jusé Juão.
    Bom,vamos para de falar de mim e vamos começar a falar de uma minoria do site que estão atrasando seu avanço, não vou citar nomes porém deixarei claro quem são os coitados (criticados),gostaria de falar especificamente sobre dois tipos de escritores .Comecemos por partes,como Hannibal já fazia/dizia.
    Primeiramente gostaria de falar sobre aqueles escritores que se baseiam em suas emoções e não buscam sustentação empírica para seus argumentos,que apenas escrevem por escrever, sem ter um motivo, o blog expõe ideias e ideais e não poesia ao meu ver.
    Outros escritores acabam por criar parônimos neste site,fantasiando outra realidade, mudando sua personalidade, postando textos contraditórios,de certa forma ofensivos e até sem sustentação.
    Bom,espero que tenha conseguido expressar minha opinião sobre o blog,que em minha visão têm futuro, porém que ainda precisa de certos ajustes para atingir sua eficiência plena,obrigado se o sr(a) leu até aqui e boa sorte.
    Jusé Juão =]

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    1. Primeiramente, agradecemos a sua crítica.
      Segundo, o blog privilegia a liberdade de escrita e de opinião de cada autor, permitindo que cada um escreva o que quiser e da maneira que quiser. Não há nenhuma restrição que impeça qualquer autor de escrever baseando-se em suas emoções (o que seria totalmente contra o princípio de liberdade que adotamos).
      A respeito da crítica aos escritores, será avaliado a questão de textos ofensivos. Entretanto, sobre autores que cria parônimos, alterando suas personalidades, acredita-se que deve ser respeitado as respectivas individualidades, uma vez que não há nada que proíba qualquer pessoa de realizar tal ato.
      Caso qualquer argumento seu foi interpretada equivocadamente, agradeceríamos uma melhor explicação, em busca de uma melhora do blog a partir das críticas de nossos leitores.
      Gratos pelo seu comentário, Jusé Juão, que sempre serão bem vindos!

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      1. Jusé Juão · ·

        Muito obrigado por seu feedback,bom acho que eu não fui claro o suficiente em relação as emoções.
        Certos autores que agora se encontram inativos postavam textos que obedeciam as normas gramaticais porém que eram vazios de sentido,que se baseavam apenas em suas emoções para construir suas dissertações,formato este que não se baseia em dados empíricos/constatações, apenas se utilizavam de argumentos fantasiosos construíndo dissertativas fracas e até erradas,como por exemplo as dissertações da autora Luiza Eltz,que se utilizava de dados errados para construir seu texto sobre a “criação/formação” das escolas particulares.
        Sobre os textos ofensivos, o que mais pode aborrecer o leitor é o pré-conceito que certos autores possuem em relação a assuntos “espinhosos”,enquanto que a boa dissertação busca um grau cada vez mais forte de neutralidade, pois senão nós caímos no problema anteriormente abordado.
        Novamente muito obrigado por ter lido meu comentário, é bom presenciar que o blog da devida atenção a seus leitores.
        Jusé Juão

        Curtido por 1 pessoa

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