O bom monarca

Já cantou aurora em seus raios amarelados, rasgava lentamente o negro, trazendo luz para ciclos iniciarem. Entre duas montanhas, se expressa a estrela solar, iluminando a cidade, a antiga cidade monarca. Redonda em seu formato, era útero de varias vidas, das menores as maiores, com moradas ligeiramente parecidas, e uma simplicidade teatral. Como em um espetáculo, não havia defeitos aparentes, o publico observa e aplaude saudoso, pois a cidade era feliz, afinal, nunca havia sido palco de guerras, estando protegida em suas duas fronteiras por expressões naturais do planeta, veja que abençoada! Em meio a montanhas e mar, seu acesso era quase impossível, quase impossível de se acessar os bastidores de nossa querida protagonista, então vamos bater na porta desta estrela, e deixemos que ela conte sua historia, sua carreira.

Já acordada nas primeiras horas do dia, o comércio e as pessoas fermentam vida, portas se abrem, cheiros despertam, e o Monarca se levantava pronto para a vida. Assinava papéis, ouvia súditos, abria e fechava negócios, era o pai que poucos tiveram a oportunidade de ter. O Monarca, assim como todos de sua espécie, possui particularidades biológicas que o tornavam muito especial: Em primeiro, devido ao uso excessivo de seu cérebro, o Homem precisava comer acima do comum dentre os cidadãos, tendo de oito a nove refeições diárias, e em segundo, o corpo do Monarca não era adaptado a leves alterações de altitude. Nosso homem grande, diferente de todos da sua época, descia do trono para ver o povo, tocar o povo, sentir o povo, de todas as maneiras possíveis; o problema em questão é que por causa de sua natureza, ao descer as escadas, seu corpo estirava e estirava, até se tornar um grande homem em meio a população, porém tinha que voltar ao seu lugar de origem, afinal nada se resolveria no caos, então subia as escadas comprimindo seu corpo ate ter a aparência de um anão.

A vida se sustentou assim muito bem por um tempo, os corpos fortes e robustos que compunham o povo mantinham-se e sustentavam o rei e seus delicados dons, entretanto, surge um pequeno buraco na trama desta teia, o fato de que na medida em que o tempo foi passando, estrias foram surgindo no corpo inteiro do rei, devido ao esticar e comprimir constante do corpo, e logo seus músculos se enfraqueceram. Semanas e meses se passaram e o rei começou a comer mais, devido a fraqueza, e a situação piorou drasticamente. O povo não tinha mais comida, o rei não aparecia há meses, o caos se instalou. O Monarca foi pedir ajuda a reinos do norte, e em resposta através de uma águia, veio-lhe que nada poderia ser feito, e ainda foi reprimido, devido ao seu comportamento absurdo antinatural que levou-o aquela situação.

O povo se revelou, e furioso, marchou para o anel central, proclamando justiça e igualdade; o homem em seu desespero, aprontou-se para uma fuga, descendo rigidamente as escadas. A cada degrau que fugia, seu corpo se esticava, lentamente sua pele foi rasgando a ponto de brotar sangue de seus poros; seus músculos dilaceraram, e cambaleando, pernas e braços se desgrudaram do corpo gordo, desmanchando-se em plena escadaria. Os súditos, ao arrombar os majestosos portões, nada mais acharam que carne ensanguentada e gordura em todos os degraus, com a cabeça do monarca a seus pés, afinal. A ceia foi farta, houve dança e canto, nada foi desperdiçado.

Já cantou aurora, em seus raios amarelados, rasgava lentamente o negro, trazendo luz para os ciclos iniciarem. Entre duas montanhas se expressa a estrela solar, iluminando a antiga cidade monarca. A cortina se fecha.

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