A energia nuclear como uma alternativa

Descoberta por volta do ano de 1939 pelos cientistas europeus Otto Hanh, Fritz Straßmann e Lise Meitner, a energia nuclear se mostrou extremamente surpreendente e interessante. Como na época de sua descoberta o mundo se encontrava num contexto de guerra, ela foi aproveitada para ser a base do fabrico de bombas atômicas, além de assegurar a hegemonia bélica do país que a detivesse. Sua popularidade culminou com os atentados às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, onde a força destrutiva desta nova descoberta deixou uma mancha na história logo nos seus primeiros anos de vida, arrasando o Japão e matando imediatamente mais de 50 mil civis. Com a população mundial completamente estarrecida ao assistir às notícias, foi declarado que a energia atômica era altamente perigosa e provavelmente não seria vista nunca mais.

Ao menos era o que todos pensavam. Após o final da 2ª Guerra Mundial, cientistas norte-americanos e europeus se esforçaram para tentar virar esta página e elaborar uma forma de mudar a imagem dos combustíveis nucleares. Com pesquisas e estudos, a perplexidade dos ataques deu lugar a uma nova esperança: a de que a energia nuclear poderia ter uma função pacífica. A ideia de gerar energia a partir de usinas nucleares entusiasmou milhares de engenheiros, pois tratava-se de uma fonte de energia que não poluía o ar como o carvão, que era extremamente utilizado na época.

A chance das usinas nucleares veio com a Crise do Petróleo por volta dos anos 70. Foram construídas diversas delas devido ao interesse econômico e comercial em substituir o petróleo por outra fonte de energia. Houve uma euforia muito grande após finalmente conseguir tirar este projeto tão bem pensado do papel, e por enquanto, ele estava correspondendo muito bem às expectativas.

Entretanto, a energia atômica perdeu sua credibilidade depois de acidentes nucleares como o de Chernobyl, na antiga União Soviética, e da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Os EUA conseguiram evitar por pouco uma catástrofe maior, porém a URSS não teve a mesma sorte, visto que a cidade de Chernobyl permanece inabitável até hoje, 29 anos após o acidente. Desde então, o ritmo de construção de usinas ficou estagnado. O mundo chegou a pensar: “Afinal de contas, a energia nuclear deve ser abandonada ou é algo em que se deve ser investido?”.

Apesar de deixar a maioria duvidosa em relação ao assunto, suas vantagens falam mais alto que suas desvantagens. Claramente houve acidentes catastróficos ao longo da história das usinas nucleares. No entanto, somando todos os acidentes, o número de mortes não chega nem próximo ao número de óbitos que minas de carvão provocaram ao longo do tempo. Na verdade, a energia nuclear é a fonte que deixa o menor número de mortos por ano em todo o mundo. Pode parecer algo controverso, mas esta é uma forma de salvar vidas, pois como não libera gases tóxicos no ar, o combustível nuclear evita doenças respiratórias causadas pela queima de combustíveis fósseis. Desde seu uso, estima-se que foram salvas 1,84 milhão de vidas que seriam afetadas por doenças relacionadas à poluição. O Tório é um elemento ideal para ser utilizado em reatores, pois é eficiente e seguro. É calculado que uma tonelada de tório gera a mesma energia que 3,5 milhões de toneladas de carvão. Seus resíduos tóxicos permanecem por “apenas” 100 anos, e este é um elemento muito difícil de se converter em armas químicas, o que solucionaria o problema enfrentado na metade do século passado. Além disso, prevê-se que a energia nuclear prevenirá que mais de 800 mil gigatoneladas de dióxido de carbono sejam dispersas no ar até 2050, um número ao mínimo surpreendente. O lixo tóxico produzido pelas usinas poderia ser reutilizado a partir de aproximadamente 2045, quando existirão tecnologias para a reciclagem e reaproveitamento de resíduos radioativos.

A imagem de vilão causada pelos acidentes assusta e evita que a população se interesse mais sobre a energia nuclear. Contudo, parece ser uma das melhores opções disponíveis ao visar um futuro menos biodegradável e amigável para com o planeta. Portanto, ela é algo a ser pelo menos repensado, já que o desenvolvimento desta tecnologia pode ser a chave para o desenvolvimento, trazendo diversos benefícios para a humanidade, que terá assim, um futuro nuclear.

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