Comissão Nacional da Verdade: Realidade e Parcialidade

Em época de manifestações pedindo a volta da intervenção militar, nada mais coerente do que uma análise sobre as ferramentas que os civis usaram para apurar os fatos do período, com enfoque na validade da CNV.

A discussão acerca da natureza de “verdade” é tão antiga quanto a própria filosofia e, como qualquer tópico central desta ciência, ainda não se findou. Conceito menos amplo, porém, é o de verdade histórica; Este pauta-se apenas em fatos comprovados e os submete a verdadeiro rigor analítico, utilizando-se da máxima imparcialidade cabível ao estudo.

Tendo por base tal axioma referencial à verdade histórica, dá-se que a Comissão Nacional da Verdade, do modo como foi formada e atuou, não cumpre os requisitos do rigor histórico e, portanto, deve ser tida como tão fiável para a análise do caráter histórico da época quanto um artigo sério pertencente a um blog (como este!).

Este ponto de vista contribui para que as produções históricas modernas sejam aprimoradas. Intelectuais como Laurentino Gomes, autor da obra 1889, destacam-se do “idealismo historiográfico” tão típico do século XX para inovarem em produções que demonstram que os fatos históricos podem ser retratados sob perspectivas diversas das habituais, mas mantendo-se o rigor acadêmico e o compromisso com a imparcialidade.

A História e a “verdade” não devem se encarregar de criar heróis ou vilões; devem deixar tal debate para os que delas se fiam. A Comissão, pois, já nasce com uma perspectiva eminentemente parcial, na medida em que se limita a apurar os fatos ocorridos contra os “mocinhos” da ditadura, deturpando assim a realidade social e política do período. Os relatos e dados da CNV serão de fato muito úteis para confortar famílias de desaparecidos e cumprir o papel paliativo a que se limitam, mas caso a sociedade civil brasileira efetivamente deseje uma VERDADE sobre os fatos ocorridos na ditadura, deve recorrer a historiadores que expressem imparcialidade sobre ela.

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