Visão Umbiguista

Vivemos em épocas onde a sociedade não se importa com o outro.  Aliás, deixe-me corrigir minhas palavras ingênuas: a sociedade se importa, mas apenas se a ajuda que irá proporcionar causará visibilidade para o sujeito da ação.  A aparência, portanto, sendo colocada como primordial. O prestígio social sendo muitas vezes o gatilho da ação que deveria ser pura e unicamente fixada na compreensão alheia. Preocupados com o que o umbigo envolve: a si mesmo.

Eis uma expressão que me sinto cercada nos últimos anos: “visão umbiguista”. A indiferença humana para aquilo que não a envolve diretamente me enoja. A falta de empatia existente nos corações das pessoas me enche de obscuridade. E a tentativa de inferiorizar um problema me deixa sem esperanças.

Um exemplo? Cada vez vejo mais homens ignorantes que dizem que o machismo não existe. Afirmam isso pelo simples fato de não carregarem uma genitália feminina no meio das suas pernas. Se carregassem, iriam descobrir que um órgão pode influenciar absurdamente a maneira como as pessoas tendem a te subestimar. “Coloque-se no lugar da pessoa para entender o seu problema”, como iam se sentir se hipoteticamente o pênis fosse tratado como o responsável dos salários de homens serem mais baixos do que os de mulheres? Que se o fato de se tornar chefe de um departamento dependesse do seu sexo? A resposta correta: reprimidos por um sistema injusto.

Sentir empatia é um degrau diante de uma escada com inúmeros andares. Dar um passo não significa que conseguiu atingir o topo. Significa que muitos passos ainda terão que ser dados. Muitos param de tomar atitudes após de compreender outro alguém, como se essa ação já bastasse.  Atitudes que deveriam ser avaliadas como imprescindíveis, visto que não muda a rotina de um “umbiguista” a reflexão sobre a vida alheia.

Há também a ideia de que não opinar, definir um lado, em determinada circunstancia é apenas não ser intrometido. Eu não concordo. Ficar em cima do muro é uma decisão. Uma decisão passiva, porém é algo que a pessoa escolheu para si mesma, muitas vezes pela justificativa que não querer ser afetado ou sugado para problemas que não a interessa. Indiferença. Onde que isso vai ajudar a mudar as coisas e solucionar problemas? Não ajuda.

Uma das piores coisas também é quando a ajuda é feita apenas para dar crédito. Quando este abraça uma ação apenas para ser abraçado de volta quando for conveniente, ou cobrar este abraço em todas as oportunidades possíveis. Como se apenas sair do seu mundinho de papel custasse minutos preciosos. Minutos preciosos para construir mais máscaras de papel. Posso até me permitir imaginar o que pessoas dessa índole pensam. Ser humanitário é a nova moda, e tudo o que aspira é fazer parte dela, porque afinal, qual sentido de se mexer e não ser beneficiado? Não há custo beneficio. Calculistas, frias e manipuladoras. É dessa maneira que as caracterizo.

A verdade é que se não precisássemos de pessoas para seguir em frente, não iriamos ser uma sociedade ou viver cercado de pessoas. As coisas só andam se houver cooperação. As causas só são apuradas quando muitos se juntam pelo bem maior, quando o problema de uma única pessoa vira de uma multidão.

O meu apelo para vocês caros leitores? Diga não a Visão Umbiguista.

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