ADÃO É MITO

Estava estes dias lendo A riqueza das nações. Digo isso assim, meio fora de contexto, que é para que saibam que li A riqueza das nações. Que não é um livro fuleiro, é cinco. Cinco livros fuleiros de pura enganação. Nada, o homem era um gênio. Um inglês me confidenciou que esse economista era o próprio Mito de Adão. Nome másculo, não? Nome de gênio, como diria a prostituta: “Bom é curto e grosso, pra não gastar saliva a toa”. Gênio, transformou a arte de contar moedas em uma ciência.

Um monstro é o que é. Assim denomino todos que transformam gosto em estudo, que fazem receita de bolo. Ora, se não sai, foda-se, o mundo desaba, e daí? Vamos todos caçar o almoço. Enfim, o que há para se discutir da obra? A obra em si já discute nada. O que é um quarter de trigo e qual foi o momento em que valeu o preço de mercado de 7s. 4£ 8d. Que me interessa saber dos hábitos artesanais de uma aldeia de tecelões de meias mal acabadas em uma ilha perdida a Leste da Irlanda? Preferível conhecer o Brasil, uma misteriosa ilha ao sudoeste da Inglaterra. Mas de que vale a crítica? Um gênio está acima de apreciação.

“Um gênio”. Esse epítome do homem não corresponde a tal epíteto. A hagiologia define que gênios eram espíritos errantes do Éden antes mesmo de haver o homem, e Adão é o primeiro homem, portanto não é um gênio. Os clássicos criam que determinadas almas, após a devida decomposição do tegumento carnal, tornam-se gênios, atrelando-se, então, a algum pedaço de chão ou um coitado desinformado, a um átomo de Pão ou um gigantesco candelabro, e definem seu destino. Assim. Por toda eternidade. Não quero pensar que o grande homem é predestinado. Mas, outra vez, lá está a evidência, em uma fonte arial garrafal dourada gravada na capa da encadernação: Smith. É, sim. Ele é o Adão forjador. Forja o quê? O destino, que é só o que se transforma. Por excelência, o homem é um gênio. Ufa, o grande homem não é predestinado.

Mas os Clássicos estão ultrapassados (não Adão, ele é um clássico contemporâneo), certos estão o japonêses. Corretos os issei, nissei, sansei, yonsei e nãossei o que. Adaptaram a pronúncia, é jin. E, de fato, gin sempre decide o destino de alguém. Mas o homem – O homem –, não pode ser deidade. Ou pode? Até onde sei, somente Deus pode criar, mas Adão Ferreiro forjou uma ciência. Que porcaria essa coisa de nacionalizar nomes, coisa de direita, de militar, de retrógrado, coisa de economista liberal. Que porcaria, essa coisa de Estatizar o capital externo, coisa de esquerda, de povo, de progressista, coisa de político liberal. Ah, maldito senso comum.

E não falei do livro… ah, foda-se, ele é um gênio, ele que volte pra te explicar. Torça para o teu anjo da guarda estar de bom humor, que ele é um gênio também.

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