Destino

Espero, espero… Essa incerteza só me desespera… Sinto que devo buscar a verdade e descobrir se a faísca que sinto é a mesma em ti, ao passo que não quero me deparar com a verdade devastadora. Constantemente me surpreendo com o quanto me transformo com tão pouco. Com pouco, digo, simples e inesperado, isso é capaz de provocar um sorriso largo e arrebatador… Felicidade inusitada, que me encanta pelo resto do dia… E sei a que culpar quando a mesma se esgota.

Destino, da falta de te ver ao romantismo em excesso, culpo a ele porque não sou forte para admitir, admitir que sou eu quem repasso fantasias e exijo dele trazê-las à realidade. Mas por que admitir a um conceito abstrato a culpa de nossas angústias? Porque quando os meus desejos profundos e até então não conhecidos se realizam, ovaciono o destino por tal feito, no entanto quando passo a apostar todas as minhas fichas nele, só me sobra decepção, porque descubro que olhares, toques e encontros não são consequências suas em tempo integral.
São muitas escolhas sendo feitas simultânea e paralelamente dessa forma, se você encontrou tal pessoa ou olhou para alguém que também o mirava é porque você e outros infinitos realizaram ações inconscientemente…eu sei… Desse modo encontros não são encantos, não obstante, angario ainda momentos assim, em que dentre mil combinações apenas uma levou àquele vislumbre seu do outro lado da rua.
Tolice é a melhor palavra, mistura-se a sensações não usuais, sinto-me leve, tola, entretanto é passageiro…mais uma vez fui tomada pela ilusão de que estava ali porque queria, de que me chamara porque me queria. Então é assim que a neblina se dissipa e posso, enfim, ver que não estou presa às suas escolhas, nem presa a esse tal destino.
Acredito, agora, piamente, o destino é fruto do caos, caminhos que se cruzam e que divergem, basta apenas avaliar a sequência de ações que tomara e as consequências seguintes. Porque estas são fundamentadas por decisões, logo, abrem-se portas e fecham-se outras mais, a diferença está na perspectiva: uma vez que o encontrado é agradável, o destino é agraciado; porém se ele desemboca no importuno, não se economizam palavras para o martirizar.
Como disse Arthur Schopenhauer : ” O destino baralha as cartas, e nós jogamos” , sendo assim, ao esbarrar com ele, improvise ou aprecie os bons momentos que o inconsciente lhe proporcionou. Mas não se deixe confundir, jogar com cartas não é o mesmo que “jogar” com pessoas, essencialmente o destino é do próprio homem, mas assim emerge ao exterior, portanto, adapte-se ao destino como às cartas de um baralho, ademais, prepare-se para o que é externo como se prepara às jogadas de outros jogadores.

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um comentário

  1. Amanda · · Responder

    Meu deus que texto maravilhoso, ansiosa pelo próximo 😍

    Curtido por 1 pessoa

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