A vida privada e o Estado público

A ascensão da internet no século XXI trouxe junto a questão da grande exposição e transparência promovida por ela. Isto decorre da aliança entre a pouca conscientização dos usuários, em decorrência dos poucos anos de existência da internet, e a facilidade para compartilhar os dados. Não obstante, se a transparência pode fundamentar mazelas, também há a possibilidade dela ser base para benefícios. Para diferenciar um caso de outro, deve-se analisar qual parte da sociedade está sendo exposta: o público ou o privado.

No caso do público, que é aqui definido como aquilo que afeta toda a sociedade, a transparência não é só desejável, como essencial. Com ela, é possível evitar desde atitudes nocivas ao mercado financeiro até imoralidades com a máquina estatal. Exemplificando o primeiro, há que, em 1929, a transparência da situação de superprodução evitaria que acionistas investissem em empresas com estoques ociosos, prevenindo assim o grande crash daquele ano. Sobre o segundo, atitudes como o Portal da Transparência, promovido pelo governo federal, permitem que a população tenha noção das atitudes orçamentárias do Estado, diminuindo a possibilidade de corrupção.

No entanto, estes benefícios não são transportados para a vida privada, aquela que comete apenas a cada indivíduo. Neste caso, a transparência gera invasão de privacidade, da qual advém relações abusivas entre consumidor e empresa e cidadão e Estado. Edward Snowden, ex-funcionário da NSA, demonstrou como o governo americano, com a desculpa de combate ao terrorismo, violou endereços eletrônicos e grampeou telefones de cidadãos americanos e mesmo chefes de Estado. No caso das empresas, destaca-se a venda de dados pessoais que o Facebook realiza, gerando a chamada ”propaganda direcionada”, com base nos gostos do indivíduo. A generalização de situações como esta leva a uma sociedade totalitária, em que nossa liberdade econômica é restringida por empresas e a política pelo governo. Cria-se, portanto, um futuro distópico, limitado em perspectiva.

Para evitá-lo, então, faz-se necessário a separação entre o público e o privado, com este sendo protegido e aquele escancarado. A fim de realizar isto, a população deve evitar o compartilhamento de dados pessoais na rede, bem como ler atentamente termos de uso e não participar de redes sociais inseguras. Ademais, deve cobrar do governo e empresas a exposição de informações competentes à prestação de serviços. Assim, consegue-se evitar a catástrofe do individual e promover o trinfo do social.

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