TÉDIO, O URSO

Havia, feliz, distante

Pululando, saltitando

Do sedentarismo amante

Tédio, o deveras brando.

Um ursinho pacífico

Oportuno e astuto

Em chatear, prolifico

Pensando nisso, matuto.

“Se me tens quando só estou,

Me deixas quand’ algo faço.

Escarnecer-lhe a face vou

De cigarros ruins és maço.

Que não sejas tu Caríbdis

Me sugues pra teu vórtice

E me viras os cabides

Das tarefas, bem porte-se.

Tu me tiras o ânimo

E bem desleixado faz-me

Enganoso qual cânhamo

Não mo apraz, embora pasme.

Às tuas vítimas, feroz

Abocanha como um cão

Mas volta para tua foz

Que te contente um salmão”

Basta! Vós me enganastes!

Fazei-me falar sobre vós

E me lançaste o véu, traste!

Com vossa cantata sem voz

Tédio, quimera imortal!

Matar ninguém te poderá

E teu zumbido infernal

Portanto, nunca cessará

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