Teogonia Omniista

Vida e morte, numa tarde, na Paulista,

deram as mãos e, desde então,

o sol poente já não sabe mais se vai ou volta.

 

De fato, se volta. Tudo o que há se volta

para um espetáculo de tal magnitude.

É o encontro desses dedos,

é o entrelaçar dos mesmos,

são as palmas dessas mãos,

correndo os braços nos abraços,

é o amor em união,

como o ódio despedaça,

o despertar da criação.

 

É a vida de uma boca

com a fome do miserável,

buscando a morte em uma outra,

na abundância desses lábios.

 

São as cores, coração.

É o aroma desse sol que sobe e desce.

É a harmônica ressoando

que dá sabor a esse amor.

 

É da cintura que se cruza,

é das bocas que se encontram

e é dos pés que se beijam

que se gera o infinito,

nova estrutura helicoidal.

 

Traz, na genética, o universo,

uma calmaria bruta, como carinho de puta,

e um caos ordenado, contratempo de advogado.

Por isso há quem só viva em morte

e quem morra por toda a vida.

O que não começa por amor

Só encontra a paz na dor.

 

Isto, claro, ocorrido muito antes de tudo e nada.

Quando tudo não existia e nem mesmo nada havia.

Foi quando as mãos se viram dadas.


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