O Homem Que Analisa Gerações

Se o tempo é cíclico ou não, se as gerações se diferenciam mais do que se assemelham, se são X, Y ou Z, não cabe a mim dizer, e provavelmente nem a você, mas ao homem que analisa gerações.

Esse homem foi levado por todas as suas escolhas e todos os acasos não seus a ser um órfão das gerações. Ele não é o analista fruto da geração boomer, ou baby boomer, nem mesmo X, ele é simplesmente o analista de gerações. Por que os analistas frutos de qualquer geração se assemelham. São todos iguais. Estrangeiros que nasceram aqui e vivem aqui mas não são daqui.

Se sentam nos cafés para olhar o movimento, enxergam de longe os atritos juvenis e o caos senil, anotando os contrastes e os desgastes em seus caderninhos de bolso, em suas memórias analíticas. Traçam o perfil de um grupo inteiro, estudam os comportamentos de variadas tribos, mas não conseguem perceber que fazem parte de uma. Afinal, se são os homens que analisam gerações, quem iria os analisar? Talvez eu, neste texto, interpretando o papel do homem que analisa o homem que analisa gerações.

São o grupo mais homogêneo das gerações. O grupo dos rebeldes se rebela por motivos diferentes a cada geração. O grupo dos acomodados se acomodam em cenários distintos. Mas o grupo dos homens que analisam gerações permanece intacto ao tempo. E talvez também sejam o grupo menos numeroso. Você vai conhecer três ou quatro ao longo da vida. E, ao menos para um, vai ceder seu encanto e seus ouvidos, afinal, ele consegue ver tudo a distância, enxergar o panorama e te dizer tudo que você é que você não sabe que é mas sabe que não quer ser.

E é nesse momento, quando o homem que analisa gerações toca o homem das gerações, que o nascimento de um homem que analisa gerações acontece. Quando se ouve e se sabe tudo sobre quem você é, quem seus semelhantes são, quem todos nós fomos e somos e seremos, se tornar um homem que analisa gerações é o meio mais eficiente de se abster das culpas, das responsabilidades e do futuro. Se torna observador imaterial do mundo, não o molda nem o transforma. O entende. O enxerga. O analisa.

Mas nunca o entende. Nunca o enxerga. Nunca o analisa. Por que esse homem não pertence a esse mundo. Os cochichos e os segredos não chegarão a seus ouvidos. A dor não será sentida, o sentimento não será amado, e o amor não será dolorido. O homem terá acesso a todas as fotografias desse mundo, dessa geração, mas se quiser cheirá-las, sentirá somente o cheiro do papel no qual foram impressos. Se quiser tocá-las, somente a textura de uma impressão comum. E se quiser mudá-las, não poderá, por que és o homem com a câmera, não o fotografado.

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