Ler : ser ou parecer?

Observei em uma de minhas idas à biblioteca o quão diferente são as pessoas que a frequentam – se você ainda não visitou uma, por favor, o faça –, mas, dentre suas divergências de comportamento ou preferências literárias, possuem em comum o ato de ler (em público). Do tempo em que fico lá, uma parte reservo realmente para ler, a outra parte, para observar as pessoas lendo. Isso mesmo, não só em bibliotecas, também em ônibus e prioritariamente lugares públicos, há pessoas que estão supostamente lendo, e nisso eu reparo…

É engraçado e parece impossível que estejam tentando ler num espaço tão rico de diversidades: rico de pessoas e suas consequentes ações e de sons (barulho incluso). Então, dentre tantos motivos, por que elas escolhem aquele específico lugar e horário para ler? Não seria melhor fazê-lo num espaço privado e portanto mais apto para concentrar-se? Diante disso procurei, nos outros, motivos para tal escolha, mais tarde vi que era só procurar em mim para encontrar a resposta.

Normalmente não nos questionamos sobre a importância da leitura, apenas aprendemos a ler e alguns tomam gosto por isso, por influência ou por iniciativa, buscam mais em livros e daí inicia-se a busca por conhecimento, ou seria reconhecimento? Está aí a resposta que procurava…RECONHECIMENTO, o conceito de intelectual é inerente à leitura e, por isso, noto tantos que estão ali “lendo” para enganarem a si mesmos, digo, acreditam ser intelectuais porque dedicam seu tempo para aumentar o histórico de leitura e, portanto, convencer a todos do quanto são únicos (mesmo que por dentro saibam que não são). Se imagina porque sei disso, saiba que é porque também sou uma entre os tantos.
Admito que há pessoas lendo jornal na praça a fim de se atualizar sobre a política, estudantes lendo no ônibus a caminho da faculdade para recordar os conceitos para a prova… porém, falar sobre isso seria raso, quero, aqui, analisar um ponto que vai atingir a nós, ou somente cutucar, rs.
Pois que leia, mas, se o faz por almejo a uma condição mais intelectual, saiba que não se trata de ler apenas, seja em espaços públicos ou privados, a leitura é mais do que eficiente, é agradável e inspiradora quando dela são extraídos conceitos e lições aplicáveis em sua vida. De que serve ler e reter conhecimento sem compartilhar, no mínimo, com as pessoas em sua volta? Entretanto, não quero dizer para que leia Dostoievski e não entenda nada, leitura também é sinônimo de prazer e deve, notoriamente, valer a pena o tempo gasto/investido ali. Prefiro, pois, ler A culpa é das estrelas e levar como modelo a emoção e a história presentes para a realidade.

Com o tempo, claro, mudamos nossos gostos ou, mesmo que com a mesma essência, buscamos novos temas. Com a prática, Jogos Vorazes já não é suficiente e procuro por linguagens mais complexas e abordagens mais profundas, e todos os livros que me trouxeram até aqui, de Os três porquinhos a A mão e a luva, enriqueceram meu vocabulário e a minha história. Passei, gradualmente, a absorver conteúdos mais subjetivos e linguagens pesadas, contudo, não necessariamente melhores, afinal, isso é relativo.
E depois de tudo, digo para que leia aquilo que suprima suas vontades. Quando estiver cansado de estudar, leia para relaxar e rir, afinal, só você saberá distinguir o chato do agradável, o limiar entre inútil e reconfortante, leia na escola, no trabalho, no restaurante e na rua… Desde que seja e não pareça!

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