“No camarote quase não dá pra te ver”

O Brasil, desde a sua colonização, sempre foi marcado por distinções sociais; entre europeus e nativos,  negros e brancos, ou seja, um antagonismo baseado em padrões eurocêntricos que excluía grande parcela da sociedade do acesso a direitos básicos.
Com o passar dos séculos, as minorias e classes populares conseguiram garantir acesso aos direitos,  porém as distinções sociais que deveriam diminuir acabaram aumentando devido à elitização do privado e ao sucateamento do público. Quando finalmente os mais pobres conseguiram acesso à educação e à saúde,  os hospitais públicos e as escolas públicas estavam deterioradas, mais do que isso, foram intencionalmente corroídas pouco a pouco, até chegarem no estado lastimável em que se encontram. Enquanto isso as escolas privadas aumentam os lucros e garantem o acesso dos mais abastados às universidades públicas. Universidades, estas, que só não sofreram um rebaixamento em seu nível porque o acesso dos mais pobres é mínimo, dificultado pelos vestibulares desiguais, caso contrário, certamente o setor privado trataria de deteriorá-las. Fica evidente que é intencional essa deterioração do público orquestrada pelo setor privado e pela elite, que não aceitariam, de maneira alguma, dividir o seu camarote social com os menos privilegiados.
O setor particular e o público são excludentes,  pois mesmo quando o espaço frequentado é o mesmo, existe um apartheid social que segrega os vip’s e os não vip’s, os brancos e negros,  os ricos e os pobres. Nos dias atuais, beira o impossível a coexistência entre setores sociais, o que não é proveitoso para a democracia, pois a isonomia é afetada. Sem isonomia, o exercício democrático é nulo.
Fica claro que essa divisão social é um retrocesso que remonta os primórdios da sociedade brasileira e é um absurdo que se tenha permitido tamanha contradição nas relações sociais, pois, onde não há igualdade, não há diálogo,  não há justiça, não há direitos, ou seja, não há sociedade.

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3 Comentários

  1. Raquel said · · Responder

    Muito bom, como sempre.

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  2. Não posso expor minha opinião quanto às universidades (somente que acho um contrassenso que as “melhores” sejam públicas para beneficiar a camada mais alta da sociedade), mas posso contribuir com uma informação adicional.na área de saúde. Mesmo que a área hospitalar seja a mais visível, embora não tão importante em toda estrutura da saúde, existe uma outra questão a ser comentada. Quais são considerados os melhores hospitais em São Paulo? Não é necessário entrar em detalhes porque são bem conhecidos. Mas, sabia que esses “templos da saúde” têm isenção de impostos? É uma renúncia fiscal em troca de serviços de transplantes de órgãos, ou ensino na área de saúde. O que não me convence é que talvez todo esse montante de dinheiro de isenção fiscal pudesse ser investido nos hospitais públicos. Esta é mais uma demonstração de segregação de recursos entre o público e o privado e mesmo entre o privado e o privado sob as bênçãos do financiamento público. Não é à toa que nossos políticos só frequentam esses hospitais.

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    1. Excelente reflexão Robson Barbosa! Obrigado por emitir sua opinião que sem dúvida alguma colaborou para a discussão proposta no meu texto trazendo uma perspectiva interessantíssima sobre a área da saúde. É um absurdo essa isenção fiscal sobretudo em tempos de crise onde nosso povo tanto padece, inclusive nós que temos impostos e mais impostos nesse começo de ano que não são perdoados pelos mesmo Estado bondoso que perdoa esses hospitais, um grande paradoxo.

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