TEMER

Tenho certos questionamentos a respeito do propósito da carta que Michel Temer enviou à Presidente da República, Dilma Roussef, nesta segunda-feira. Anteriormente à chegada da carta no gabinete de Dilma, a Câmara dos Deputados deveria instalar a Comissão Especial, que apurará o pedido de impeachment. Entretanto, a falta de consenso fez com que Eduardo Cunha adiasse a formação da comissão para hoje. Esse desacordo ocorreu devido à decisão de Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara e defensor do Governo, ao selecionar os parlamentares que iriam compor a comissão, em que deu preferência aos moderados ou favoráveis ao Governo, causando divergências internas no partido. Consequemente, fez com que a ala favorável ao impedimento se articulasse com políticos oposicionitas com o propósito de formar uma nova chapa. Na manhã de hoje, deputados federais do PMDB se reuniram com o vice-presidente para ter o seu apoio com a destituição de Leonardo Picciani, o que possibilita suspeitar de uma medida oposicionista de Michel Temer.
Em sua carta, Temer demonstra a insatisfação com Dilma devido ao suposto menosprezo do Governo em relação a ele e ao partido. Essa carta demonstrou que o vice-presidente adotou uma posição de independência sobre a Presidente, evidenciando uma possível articulação com os oposicionistas em prol do impeachment, uma vez que, obviamente, Temer e o PMDB seriam os maiores beneficiados com a cassação do mandato de Dilma.
Horas depois de ter entregue sua carta, o vice-presidente anunciou para 150 empresários o denominado “Uma ponte para o futuro”, um plano de governo do PMDB caso assumisse a presidência em que Temer se apresentou como uma “ponte” para o país voltar a crescer.
A orquestrada jogada política de Michel Temer fortifica a oposição num momento em que o PT está fragilizado e acolhido numa situação de defesa, abrindo mais espaço para o processo de impeachment. Os próximos capítulos dessa novela serão de extrema tensidade e minuciosidade nas decisões políticas, pois caso uma peça seja movida erroneamente, xeque-mate!

“Parecia que o Frank Underwood era o Cunha. Mas que nada! É o Temer!”

Pois é, quem diria que um dia teríamos que temer o Temer?

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