O ATUAL ESTADO DA MÚSICA BRASILEIRA: UMA ANÁLISE

Há um tempo que venho entrando em um estudo da música brasileira. Fã de Pink Floyd, Beatles,  Radiohead, Chili Peppers, Tears for Fears, Kings of Convenience e tantos outros nomes estrangeiros, senti que estava na hora de estudar um pouco mais a música vinda de meu país. Também sou fã de Lenine e tenho orgulho de dizer que ouvi os trinta e oito álbuns de Chico Buarque (uma tremenda aula de história), mas além disso e do ocasional Barão e Cazuza, não havia me aprofundado tanto como gosto de fazer em tantos outros nomes conhecidos. Comecei com Djavan, e os dezenove álbuns que ouvi valeram até mais do que contava, mostrando uma mistura de samba, forró, jazz e xote nordestino. Pretendendo partir para Tim Maia, resolvi tomar uma curva para sons mais modernos antes de voltar aos antigos. A partir disso, conheci um mundo musical que não fazia a ideia que existia.

Confesso que inicialmente estava apreensivo, preconceituoso até. Fui embarcar nesta jornada musical pensando que encontraria bons sons, mas nada único. Com poucas exceções, como Criolo, não havia ouvido muitos singles que me convencessem de que haviam grandes talentos atualmente na música brasileira. Fui ouvir apreensivo, achando que encontraria diversos artistas tocando o mesmo estilo repetitivo, sem variedade nem riqueza, e que toda aquela nova onda de música seria por nada, esquecida no futuro. Primeiramente resolvi quebrar minha regra de lenta digestão de música e ouvir discografias completas e fui ouvir vários álbuns de diferentes artistas, simplesmente para fazer uma leve sonda do que estava acontecendo neste mundo. Ouvi Tiago Iorc, Maglore, Vivendo do Ócio, Vespas Mandarinas, Cícero, Rubel e Teatro Mágico, e minha conclusão foi surpreendente, apesar de não ter começado tão bem.

O primeiro nome foi de Iorc, um bom som bem pop que não foge do comum na maioria de seu álbum, Troco Likes, que demonstra potencial, mas não o exibe por enquanto. Em seguida, conheci Rubel, com seu single espalhado pelo Youtube, Quando Bate Aquela Saudade. Rubel, carioca, possui um único EP, Pearl, gravado em Austin, a cidadezinha propositalmente estranha do Texas, durante um intercâmbio, e é cheio de um folk tranquilo, instrumentalidade constantemente viva e peculiar e influências universais. O que me deixa esperançoso com Rubel é a própria opinião do artista quanto a seu futuro, que diz que não pretende se manter na mesma faixa musical e trabalhar em buscar novos horizontes, algo que contrasta diretamente com minha inicial apreensão. Depois, viajando a território que já conhecia de minhas ouvidas na infância, fui ouvir Teatro Mágico, dessa vez escutando o álbum Grão do Corpo, um álbum surpreendente em todos os sentidos, ousado, crítico e uma total reviravolta estética e musical para a banda. Vespas Mandarinas trazia um punk cru de respeito, que, apesar de não ser meu estilo musical de escolha, mostra que sabe o que está fazendo. Músicas como Santa Sampa, single conhecido da banda, tem a sensação daquela música que mostra o futuro do estilo dos Vespas, esperançosamente.

Quanto a Maglore, ouvi apenas seu terceiro álbum, III, uma obra também única, de personalidade musical surpreendente e instrumentos bem utilizados em faixas como Dança Diferente ou Se Você Fosse Minha. Entrei quase no reino do internacionalismo partindo para o primeiro álbum, homônimo, de Vivendo do Ócio, um Arctic Monkeys brasileiro em começo de carreira  em todos os sentidos. As guitarras pesadas, o jeito de canto do vocalista e as letras são totalmente inspiradas na banda dos macacos do ártico, e músicas como Fora Mônica são espelhos de faixas do tipo de Dancing Shoes ou I Bet You Look Good on the Dancefloor. Pretendo aprofundar meu estudo na banda, com esperança de que, assim como os Monkeys, Vivendo do Ócio crie seu estilo próprio em seus álbuns subsequentes que não ouvi ainda. O último nome da lista foi Cícero Lins, também do Rio de Janeiro, que me surpreendeu tremendamente após eu descobrir que Canções de Apartamento não é seu único álbum, mas sim o primeiro de três. Notei, dentre as curiosas conexões metamusicais entre seus álbuns (o encerramento do segundo álbum, Sábado, literalmente continua na primeira faixa do terceiro disco, A Praia), um estilo de música que nunca vi na música brasileira e que é raro de se encontrar em qualquer canto do mundo. Quase um Radiohead brasileiro, Cícero, sua guitarra perfeitamente minuciosa, bateria de frevo e traços eletrônicos atingiram um posto alto em minhas bandas favoritas, maior ainda se restringir-se apenas ao Brasil.

Pretendo continuar este projeto meu com muita alegria e entusiasmo, pronto para me aprofundar nos sons que não ouvi com calma e escutar mais outras bandas e álbuns que ainda não tive a oportunidade de analisar. Aquela apreensão que antes havia em mim não existe mais, cedendo espaço para satisfação e esperança. Fico ansioso para os próximos trabalhos dos novos artistas do mundo da música nacional, como vão crescer, o que tentarão no futuro, e estarei acompanhando seus trabalhos. Havia tempo que o país não ganhava uma enxurrada de música nova de alta qualidade como estamos tendo atualmente, e é de fato algo que vale a pena se checar. Estou neste momento ouvindo Nuvem, faixa seis do Pearl de Rubel, um som tranquilo, de letra poética, progressão belíssima e simplicidade tocante. Já é a décima vez que estou ouvindo o mesmo EP repetidamente, e pretendo ouvir muito mais.

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