A MINA TEM QUE SE VALORIZAR?

Tem, tem, sim. Todos temos. Nem sempre é a melhor ideia utilizar um conceito econômico para trabalhar um problema social. Seres vivos são chamados assim justamente por não serem objetos inanimados nem conceitos etéreos. Entretanto, acho que cabe aqui uma sutil intromissão. Afinal, o que é valor? Valor é um conceito que permeia o âmago do nosso cotidiano e embebe toda a superfície.

Compramos e vendemos produtos por um preço arbitrário definido pelo Mercado, com base em um valor de referencial imaterial, denominado trabalho, no caso, de confecção, dimensionado pelo esforço produtivo, cuja intensidade é determinada pelo tempo requerido. Criamos e rompemos laços afetivos e relacionamentos, aos quais se atribui valores. Da mesma forma, nos relacionamos com nós mesmos e nos atribuímos valores.

Portanto, como se pode ver, há uma confluência de valores no ser: o valor objetivo, externo, de outros sujeitos que analisam o objeto, e o valor subjetivo, interno, proposto pelo próprio sujeito em autoanálise. Agora, acompanhe o raciocínio e, se eu estiver errado, informe nos comentários, por favor.

Quando pedimos que “a mina” se valorize, sem nos referirmos a minas de extração mineral ou à amina que constitui o material genético, estamos, de fato, pedindo que ela atribua valor subjetivo a si. Se o valor é determinado pelo tempo, então, visando incrementar seu valor, a garota deveria conferir melhor qualidade ao seu tempo. Sendo, o valor, subjetivo, conferir melhor qualidade ao tempo consistiria na garota empregar o próprio tempo em atividades que a agradem.

Portanto, ao pedir que a garota se valorize, estamos pedindo que ela faça algo que goste. Se o que ela gosta de fazer é ler romances, então, que leia romances; se gostar de estudar química, que estude química; se gostar de sentar na branca e sentar na preta, que tenha duas bucetas; se gostar de rezar aos domingos, reze aos domingos. Não adianta colocar a exatóide para ler Camões, nem a funkeira pra ir à missa, nem a crente pra fazer conta, nem a fefeleche pra dançar funk, ou quaisquer permutações.

“Tire a sua moral do meu útero!” Quando vi essa pichação em uma parede da faculdade de Letras da USP, ri, impressionado com a criatividade da autora. No entanto, percebo, agora, que ela não foi tão criativa quanto foi observadora. Se existisse algo como estupro psicológico, esses grandes moralistas já deveriam ter ficha criminal. Porém, nada mais natural, estamos acostumados à incoerência. Sem ela, a rotina parece vazia.

Todos os supracitados devidamente abrangidos e delineados, grafo, aqui, o epigrama desse amálgama vocabular para esclarecer aos incautos fiscais do cu alheio e sonegadores de impostos no tempo vago o mote desta reflexão, para consultas posteriores. Sempre que apetecer dar piteco na vida da mina, lembre-se: não confunda EMPODERAMENTO com EMPUDORAMENTO.

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