Inconsequências da Lava Jato

Desde as eleições presidenciais de 2014 o Brasil se encontra num contexto de intensa polarização política. Os debates entre governistas e opositores têm constantemente saído do plano da discussão ideológica e entrado no da agressão física e moral, principalmente após os recentes desdobramentos da Operação Lava Jato, em que o ex-presidente Lula foi um dos alvos da Polícia Federal.

 A partir de então, os debates ficaram em torno de uma questão: se o Lula deveria ou não ser investigado.  Mesmo após o Ministério Público ter afirmado em nota oficial que há evidências de que o ex-presidente foi beneficiado pelo esquema da Petrobras, aqueles que defendem o petista afirmam que a investigação é um golpe, enquanto muitos brasileiros oposicionistas comemoram.

Do meu ponto de vista, ambos os lados possuem alguns equívocos em determinados argumentos. Muitas pessoas da oposição, por exemplo, defendem a saída do governo petista por ser corrupto, enquanto nas eleições votam em candidatos que também são corruptos (como votar no Aécio para o fim da corrupção, enquanto em maio fará três anos que ele é réu por desvio de R$ 4,3 bilhões da saúde entre 2003 e 2008). É uma indignação seletiva descarada, ainda mais por muitos acreditarem em seu discurso falso moralista.

Entretanto, o principal problema de muitos opositores, em minha opinião, é a intolerância partidária. Os argumentos dos anti-petistas possuem uma crítica extremamente rasa, escassa de argumentos políticos sólidos. Eles querem que o PT saía do poder porque é o PT, porque o Brasil vai virar uma Venezuela, porque o PT instaurou um governo comunista. E se você não concordar que vá para a Cuba! Infelizmente, é um ódio ideológico e partidário sem nexo, totalmente condicionado por setores da mídia, e que vem ganhando força com as crises política e econômica.

Já muitos dos governistas afirmam que a investigação é um golpe contra o PT, uma vez que os outros políticos foram citados em delações premiadas e não foram alvos de um mandado de condução coercitiva, nem investigados (como o próprio Aécio, novamente citado em uma delação, agora pelo Delcídio). De acordo com a lei, realmente não havia a necessidade da condução coercitiva de Lula. Porém, o fato de outros partidos terem cometidos crimes de corrupção sem haver nenhuma investigação não inocenta os supostos atos ilícitos cometidos pelo PT, nem justifica que não sejam realizadas as investigações.

O que mais peca nos argumentos das pessoas, tantos dos governistas quanto dos oposicionistas, é a falta de imparcialidade. Ao tratar de questões políticas sérias como essa, é necessário que prevaleça um julgamento igual a todos, isento de opiniões pessoais. Se determinado político foi citado numa delação, deve ser investigado, independente do partido ao qual pertence. Tudo isso me leva a concluir que muitas pessoas têm um pensamento maniqueísta sobre a política.

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