O Golpe

Quando um jogo ou um filme precisa ter a liberdade de matar milhares de pessoas sem que isso soe desumano, eles tem duas opções: fazer com que essas pessoas sejam zumbis ou que elas carreguem uma suástica nazista no braço. E é tão certo matar nazistas quanto matar zumbis, afinal, ambos são monstros. Isso é algo estabelecido no imaginário popular. Mas, biologicamente falando, eles eram humanos, antes de serem zumbis, e continuaram humanos mesmo sendo nazistas. E é impossível não se perguntar, ao estudar esse período histórico, como essas pessoas eram capazes de apoiar algo tão horrível. Hoje a resposta se desdobra pelo mundo.
Com o fim da segunda guerra, o mundo se dividiu em dois: o comunista e o capitalista. Uma guerra de propaganda foi travada, e o lado que venceu no Brasil foi o branco-azul-estrelado. Em 1965, em seu ano de estréia, a Rede Globo recebeu 6 milhões de dólares do grupo Time-Life para montar sua infraestrutura ( Se atualizado pela inflação, esse montante ultrapassa a casa do bilhão ). Como pagamento, a Globo se comprometeu a vender o sonho americano para os brasileiros. E o vendeu com maestria.
No início dos anos 90, a União Soviética cai, e o mundo se mune de esperança, a união entre os povos, o futuro é lindo. A propaganda anti comunista perde o sentido, os soviéticos aos poucos deixam de ocupar o lugar de vilões nos filmes Hollywoodianos e o sonho americano é atingido globalmente. Ou quase. Na verdade, nem perto. O futuro que chegou foi um processo de globalização neoliberal que destruiu economias do terceiro mundo.

O comunismo nasceu como contraposto do capitalismo, veio para corrigir seus erros. E o comunismo volta sempre que o capitalismo erra. E ele errou. Em toda a América Latina, recentemente livre de suas ditaduras e ainda mais recentemente vítima de governos neoliberais desastrosos, os ideais vermelhos tomam conta e governos populares são eleitos.
Eu tenho um professor de história que representa o clássico comunista decepcionado. Dá vontade de abraça-lo ao vê-lo falando do governo Lula, com os olhos cheios de esperanças traídas. Em 2002, Lula escreve a ‘Carta aos Brasileiros’, na tentativa de acalmar os mercados, instáveis com a possibilidade de uma economia socialista planificada. Lula se manteve fiel a carta, e essa fidelidade foi a traição que enche os olhos deste meu professor de lágrimas. Um governo eleito pelo povo, feito para a burguesia, a conciliação de classes. E funcionou, os ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres um pouco menos pobres. O Brasil decolou, para mais tarde, agora, cair. Afinal, continuava o capitalismo, e o capitalismo erra, e o comunismo ressurge mais uma vez.
Mas o Tio Sam não cometeria o erro de subestimar essa ideologia novamente. A propaganda não morreu com a Carta aos Brasileiros, ela voltou. Ela se intensificou. Ela gerou mitos como Bolsonaro, aqui, e Donald Trump, por lá. A Carta afastou o socialismo dos planos do governo popular, mas não foi capaz de desassociar um do outro.
Hoje, dia 17 de março de 2016, inúmeros relatos de agressões apareceram nas redes sociais. A culpa das vítimas? Usar vermelho. O capitalismo sabe muito bem se esconder de seus erros, e sabe ainda melhor quem culpar por eles. Com o número de problemas aumentando, aumenta-se o número de culpados. Os imigrantes, os refugiados, os pobres, os negros, os comunistas. Aqui, nos EUA, na Europa.
Infla-se o ódio com um sentimento nacionalista atrelado ao conservadorismo. Cria-se um fascista. Lá atrás, culparam os judeus, amaram a si mesmos e a sua pátria em nível doentio, se destruíram. Nós já temos 2/3 disto prontos, e o estágio final está em andamento. A internet e a sensação de liberdade que ela nos trás faz com que a ideia de que algo nesse nível aconteça soe improvável. E é tão improvável quanto a ideia de alguém apanhar por usar uma camiseta vermelha.
Profetizam vários: “Tempos sombrios se aproximam”. Eu gostaria que o sensacionalismo dessa promessa tornasse-a menos verdadeira, porém não torna. O que nós temos hoje mal pode ser chamado de democracia, mas não temos o luxo de perdê-la.

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um comentário

  1. Sabiao Sabia · · Responder

    Parabéns pelo texto.
    Revela grande capacidade de construir argumentos.
    Seu texto carece apenas de um pouco mais de experiencia de vida para sustentar seus argumentos infantis.
    Eu explico:
    Primeiro, penso que precisa assistir a um pouco mais de filmes, pois já nesse começo sua escrita revela o quão rasos são seus fundamentos.
    E o que apresenta na sequencia não passa discurso pronto retirados de livros ou de aulas de histórias dadas por professores ideologistas frustrados. Como pode perceber, é muito fácil categorizar as coisas e colocá-las em formatos ou padrões pré-concebidos para economizar a quantidade de energia mental que se emprega para formar uma opinião.
    O que os comunistas e os capitalistas e alguns outros “istas” ainda não perceberam, em minha opinião, é que nenhum nem o outro é resposta ou solução.
    Se comunismo fosse tão bom, por que tantas pessoas se refugiam desse regime, e tantas pessoas de baixa renda? Se capitalismo fosse tão perfeito, por que os países capitalistas não estão isentos de problemas econômicos e sociais? Portanto, essa luta, essa discussão, tange apenas ao campo ideológico e foge do aspecto prático geral. O que você, seu professor de história, e outros comunistas, e também os direitistas e capitalistas defendem é apenas a bandeira do tema. Quase todos se limitam ao campo teórico, quase todos ignoram como se dá a implementação de ambos sistemas nos contextos sociais. Quase ninguém se ocupa de analisar e natureza do ser humano e seus instintos, que guiam e direcionam suas atitudes.
    Portanto, ao dividir sua amostra social em “esquerda” e “direita”, comunismo vs socialismo, você é tão fascista quanto aqueles para quem aponta. Pois enquadra-os em um padrão que não é o seu o os rotula pejorativamente, presentando o comunismo como única solução aceitável. “O meu ponto de vista está certo. O outro ponto de vista é fascista.”
    As agressões, injustificadas de qualquer maneira, acontecem de ambos os lados. Mas algumas mídias mostram um lado e os comunistas mostram o outro. E ninguém olha o quadro maior. Portanto, seu texto aponta e se veste de hipocrisia pois é incapaz de reconhecer os erros e furos do que defende. E tanto você quanto os outros “fascistas” pouco se importam com as famílias carentes que não tem casa, ou com aqueles que precisaram sair de suas casas por perder o emprego. Querem apenas parecer entendedores e intelectuais e aparecer. E pelo que pude perceber no seu texto, você tem condições de ser muito melhor do que isso. Basta abrir sua mente. Basta querer. Basta…

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