Camões no fundo do mar

Camões no fundo do mar

Conforme as ondas atingiam o navio e os cascos molhados gladiavam as pedras, aumentava no homem o medo e a glória.

Haveria mais bela cantiga do que aquela sobre o homem que se fora com o mar? Talvez não, mas ainda não havia quem cantaria a morte de Camões. Seria indigente com bela morte, assim como fora a tripulação quando a embarcação se viu finda no fundo do mar.
Assim como foi ela.

Mas quase indigente. Foi morta para que fosse, por tabela, comemorada. Enquanto a água tomava o convés, Camões se viu com duas mãos: uma para salvar a si mesmo, e outra para a sua amada. Haviam duas dessas à bordo. Uma respondia por Dinamene, a outra, Os Lusíadas.

aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro
aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível.          O homem ideal. Daquele tempo, que sendo até então
aventureiro, guerreiro, sensível.          celebrado como o mais perfeito dos tempos, o mais
aventureiro, guerreiro, sensível.          avançado dos tempos, seria também o tempo dos
aventureiro, guerreiro, sensível.          tempos. E aquele seria o homem dos homens.
aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível.            Assim queria Camões.
aventureiro, guerreiro, sensível.

Ele está num navio, guerreando em nome de João III, quando uma flecha dilacera seu olho direito.
Navega na nau São Bento, de Tejo a Goa, enfrentando tempestades no Cabo de Boa Esperança, seguindo rotas que Vasco da Gama navegara.
“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;”

aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível.
aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível. aventureiro, guerreiro, sensível.

Terminada sua obra, apresentou-a a Dom Sebastião, que o concedeu 15 mil réis de pensão. O Dom se viu entretido com as aventuras de Vasco da Gama, e Os Lusíadas é publicado em 1572.
Em 80 ele morre de peste, pobre numa pensão.
Não se sabe em que cidade de Portugal ele nasceu. Foi enterrado indigente quando morreu.
No Mosteiro dos Jerónimos, há o túmulo de Vasco da Gama.
aventureiro
E, logo ao lado,
guerreiro
o de Camões,
sensível
vazio.

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