Quem está por trás de Maranhão?

A decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados pegou todos de surpresa. Ao acolher uma petição da Advocacia-Geral da União que questiona a famosa votação ocorrida dia no 17 de abril na Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA) anulou o processo de impeachment de Dilma. A princípio, é coerente pensar que a decisão de Maranhão teve influência do governo, já que esse terá mais tempo para tentar obter os votos necessários para barrar o processo. Porém, não podemos esquecer de uma outra figura que possui (ou possuía) muito poder na atual conjuntura: Eduardo Cunha.

 Certo… Mas qual o vínculo entre os dois?

Responsável por uma série de medidas que favoreceram o peemedebista no Conselho de Ética, Waldir Maranhão foi um de seus principais aliados desde o início do segundo mandato de Dilma. O deputado do PP limitou a investigação contra Cunha apenas à suposta conta bancária não declarada no exterior, impedindo que ele fosse julgado pelo seu envolvimento no esquema do petrolão. Além disso, ao declarar seu voto contra o prosseguimento do processo de impeachment,  Maranhão se referiu ao Cunha como “presidente querido” e disse que se manteria leal a ele.

 Vínculos estabelecidos, vamos aos interesses de ambos!

Eduardo Cunha sabe da importância que teve no Congresso para a queda de Dilma. Se não fosse por ele, é muito provável que o cenário político que estaríamos vivendo estivesse totalmente diferente. Cunha foi o principal articulador para a perda de governabilidade de Dilma, impondo as pautas-bombas e dificultando a aprovação de projetos que visavam equilibrar as contas públicas. A perda de popularidade do governo, por sua vez, abriu um caminho mais sútil para instaurar o processo de impeachment, o qual também teve grande participação do peemedebista.

Se a Dilma fosse afastada nessa quarta-feira, Cunha não teria mais utilidade política, seria deixado de lado. O PMDB se aproveitaria de seus feitos para descartá-lo e deixá-lo nas mãos do STF e dos desdobramentos da Operação Lava Jato, além de correr o risco de ser cassado pelo Conselho de Ética. O ex-governador Anthony Garotinho já relatou em seu blog as palavras de um deputado do PR, íntimo de Cunha: “Eduardo Cunha disse em alto e bom som a seguinte frase: “Se eu for abandonado não vou sozinho para o sacrifício. É bom que alguém diga a Michel (Temer) e a (Romero) Jucá que eu posso ser o início do fim de um governo que nem começou”.

Já para Waldir Maranhão, a situação é um pouco diferente. No seu primeiro dia como presidente interino da Câmara foi discutido a realização de novas eleições para a presidência da Casa. A oposição (PSDB, DEM, PSB e PPS) defenderam sua realização, enquanto o “centrão” (PP, PR, PSD, PTB, PRB, SD e PSC), aliados a Cunha, pedem a renúncia de Maranhão da presidência. Ambos os grupos alegam a mesma coisa: Maranhão não tem condições de tocar a Câmara. Ou seja, se ele não construir uma base para se permanecer na presidência, também será varrido da cadeira, e para evitar isso tentará ganhar o apoio do governo.

É possível observar, portanto, que visando as aspirações políticas de ambos, é melhor que o processo de impeachment de Dilma continue se arrastando, já que nesse cenário Cunha e Maranhão possuem alguma utilidade e o poder não será entregado de bandeja a Temer e companhia. É necessário alertar que tudo isso se trata de uma especulação, tomando como base o contexto político pelo qual passamos, e que isso não significa que o governo não tenha articulado para anular o processo. A verdade por trás dessa decisão dificilmente será descoberta.

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