Leve

Tomo banho após acordar, a água gelada corrente sobre a pele transporta meu calor e acalma. Me visto e estou pronta para mais um longo dia, sinto meu corpo despertado; a cabeça, mais à frente, já se preocupa com as tarefas do dia e assim sinto o peso das horas que estão por vir.

Na faculdade o clima é tenso, época de provas e todos estamos nos preocupando com os próximos dias, horas e minutos. A tensão é agravada pelo contexto atual… assim, corremos, pensamos, estudamos, falamos, corremos, discutimos e nos arrastamos. O cansaço é visível, olheiras e bocejos por todo canto e, por isso, o simples passa despercebido, abre espaço para seriedade, mau humor, cansaço!

Já estou no ponto, cercada de dúzias de rostos, rostos desanimados, bocas entreabertas, olhos que não enxergam mais que um palmo à frente e a linha do ônibus que tanto almejam.  Entro, mais como objeto do que como pessoa, empurrada passo pela catraca e por sorte consigo lugar ao lado de uma senhorinha muito agradável. No trajeto, sabemos, não há conversa ou contato… As curvas são bruscas e “pulamos que nem pipoca” – diz a senhorinha ao meu lado, a expressão soa nova aos meus ouvidos e sua natureza espontânea faz com que as minhas preocupações flutuem para longe, abro um sorriso repetindo mentalmente suas palavras. De repente o que estava ali na minha frente, o que não enxergava, devido às próprias preocupações e o estresse que me cegara, se torna bonito, interessante. Observo mais atenta, mais disposta a enxergar a beleza da simplicidade: a senhorinha ao meu lado transbordando juventude, o homem mais à frente falando ao telefone com uma expressão de satisfação, a vida em contraste com o concreto das ruas.

Despeço-me dela e estou pronta para seguir com o meu dia, as tarefas que antes tomavam espaço na minha mente estão mais leves. Ando e olho ao redor com mais carinho, angario boas energias e motivos que me façam seguir em frente, os mesmos motivos que fazem eu e você levantarmos da cama todos os dias. As pessoas que me veem sorrindo olham intrigadas, como se não vissem um sorriso contido e genuíno há algum tempo, a música que escuto no fone está mais bela, sinto sua mensagem e os instrumentos estão em harmonia com os meus passos. Por fim chego à casa, as mesmas palavras que me fariam iniciar uma briga ou discussão com minhas irmãs me fazem rir, vejo meus pais e seus esforços, sinto gratidão e meu humor contagia aqueles ao meu redor. Finalmente me sento e seguro a caneta com um brilho nos olhos, um sorriso inabalável e uma leve música no fundo, escrevo e passo ao papel os sentimentos bons que espero serem seus também.

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